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Com o resultado do Datafolha a tucanada solta rojões e grita já ganhou.
Masssssssssss…Vamos observar o seguinte:
Março de 2009
Serra tinha 38% subiu para 41%
Dilma havia subido de 3% para 8%
Dezembro de 2009
Serra continua no mesmo patamar 37% a 40%
Dilma subiu para 23%
Resumo da ópera:
Maurício
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Lula cala a boca dos linchadores de Battisti
Por Celso Lungaretti
Pela segunda vez o presidente Luiz Inácio Lula da Silva rechaçou firmemente as pressões italobrasileiras para influenciar sua decisão no Caso Battisti.
Falando à imprensa nesta 2ª feira (21), Lula disse que não vai decidir “sob pressão” dos ministros do Supremo Tribunal Federal, numa óbvia alusão ao presidente do STF e suas declarações lobbistas: Mendes chegou até a sugerir que a Itália ingresse com uma nova ação no STF, caso Lula resolva manter o escritor no Brasil.
A irritação do presidente da República se deveu a uma pergunta sobre o espantalho com que o lobby da extradição tenta amedrontá-lo desde que, na semana passada, o STF, de forma inusitada, alterou a proclamação do resultado de um julgamento já encerrado.
Açulados pelos ministros linchadores do STF e pelo advogado brasileiro que presta serviços à Itália, jornalistas andaram magnificando a hipótese de que, a partir dessa virada de mesa que a suprema loja de conveniências perpetrou na calada da noite (conforme ironizaram Marco Aurèlio de Mello e Tarso Genro), Lula venha a responder por crime de responsabilidade.
Foi o que publicou, da forma mais panfletária e manipuladora possível, a ex-revista Veja:
“Se Lula não extraditar Battisti, não só o Brasil poderá ser denunciado pela Itália na Corte de Haia como o STF certamente enquadrará o presidente”.
Lula deu uma resposta categórica, para não deixar nenhuma dúvida:
“Não me importa o que o STF fez. Não dei palpite quando eles decidiram. Não falei nada. Agora, se a bola foi passada para mim, eu decido como vou chutar”.
Os repórteres insistiram: já que o Caso Battisti é de “conhecimento popular”, por que Lula não revela desde já sua decisão, ao invés de esperar que o acórdão do STF seja publicado?
Como não é bobo nem nada, Lula evitou a armadilha (se antecipasse que vai negar a extradição, o mundo desabaria sobre sua cabeça nos próximos meses):
“Não me peça para falar de um caso que o conhecimento popular não me permite fazer. Neste caso só me pronuncio nos autos do processo. Na hora em que decidir, mando por escrito a decisão”.
Em janeiro/2009, quando Tarso Genro concedeu refúgio humanitário a Battisti e o lobby da extradição desencadeou uma ação concertada para que Lula desautorizasse seu ministro da Justiça, com a chiadeira, as ameaças e os achincalhes italianos sendo trombeteados ao máximo pela mídia brasileira, a atitude do presidente foi a mesma: deu um digno chega pra lá nos que espezinhavam a soberania brasileira:
“O ministro da Justiça entendeu que este cidadão deveria ficar no Brasil e tomou a decisão, que é do Estado brasileiro. Portanto, alguma autoridade italiana pode não gostar, mas tem de respeitar”.
Os linchadores ainda não perceberam que o pior negócio do mundo é querer-se ganhar do Lula no grito. Ele pode ser convencido com argumentos, mas jamais admite que o tentem coagir.
Gilmar Mendes é outro que demora a aprender a lição. Quando deitava falação ininterrupta contra o MST, praticamente exigindo medidas punitivas do Governo, foi colocado no seu lugar por Lula, que, indagado por um repórter sobre o que achava das declarações do presidente do STF, respondeu: “Eu não acho nada. Não acho absolutamente nada!”.
LUNGARZO ENSINA O BÊ-A-BÁ
AOS JORNALISTAS DA “FOLHA”
Analisando em profundidade as perspectivas para o desfecho do Caso Battisti em seu novo e imperdível estudo (Como a extradição de Battisti violaria fortemente o Tratado Brasil-Itália), Carlos Lungarzo, da Anistia internacional dos EUA, pulverizou várias bobagens publicadas pela grande imprensa nos últimos dias.
Uma delas é a de que existiriam apenas sete condições para o presidente da República negar a extradição, das quais uma única poderia se aplicar ao Caso Battisti (segundo a Folha de S. Paulo) ou nenhuma (segundo a ex-revista Veja).
Com expertise e bom humor, Lungarzo esclarece:
“As sete possibilidades às quais se refere o jornalismo são as contidas no Artigo III, do qual é claramente aplicável o subinciso (1, f), embora o relativo a crimes políticos poderia ser aplicado apesar da posição contrária do STF. Com efeito, este simplesmente ‘autoriza’ a extradição, mas não pode impor ao presidente da república sua interpretação. Eles podem dizer que o delito foi comum, e Lula pode pensar que foi político. Aliás, se não fosse assim, para que serve o poder de execução do presidente?
“Mas, também são aplicáveis as condições do Artigo V. Aliás, uma única cláusula de impedimento seria suficiente.
“Para que entendam nossos jornalistas da Folha de S. Paulo, que parecem precisar explicações muito didáticas: se você tem vários circuitos conectados em série e não em paralelo, bastará interromper um para desativar todo o fluxo elétrico. Entenderam?”
Colaboração enviada para o “Quem tem medo do Lula?” por Celso Lungaretti, jornalista, escritor e ex-preso político. Celso mantém o blog “Náufrago da Utopia” e é autor de livro homônimo sobre sua experiência durante a ditadura militar.
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Atentado Contra a Ocupação Indígena no Antigo Museu do Índio
Por Iperawa Paié 19/12/2009 às 10:22 (no Centro de Mídia Independente)
Os ocupantes do Antigo Museu do Índio dormiam na hora do atentado. Bombeiros agiram rapidamente, o que impediu que o fogo se espalhasse por outras ocas.
Às duas e meia da manhã de sábado, dia 19 de dezembro de 2009, foi ateado fogo na oca grande erguida no terreno do Antigo Museu do Índio pelos indígenas resistentes. O incêndio começou na parte de cima da oca, forrada com palhas, o que comprova ser um incêndio criminoso.
A ocupação indígena no local fere uma série de interesses públicos e privados, já que o terreno é almejado pelos Governos Municipal e Estadual, com vistas na Copa do Mundo de 2014 e nas Olimpíadas de 2016. Fontes afirmam que o imóvel estaria sendo negociado pela Prefeitura do Rio por 30 milhões com uma empresa privada espanhola para demolição imediata e construção de um Shopping Center e um estacionamento para 3.000 automóveis.
O espaço, localizado em frente ao portão 13 do Maracanã funciona como um pólo de preservação da Cultura Indígena, além de dar abrigo e proteção para indígenas de todo o Brasil, que chegam ao Rio de Janeiro sem amparo governamental ou institucional.
Não é a primeira vez que “forças obscuras” tentam criar um clima de medo e insegurança no espaço, tentando convencer os indígenas a abandonarem o Antigo Museu do Índio por meio da violência. Há cerca de dois meses atrás “Pirapiré”, o cachorro de estimação dos indígenas, foi assassinado à paulada por desconhecidos.
Desde 2006 indígenas de várias etnias ocupam o local, pólo de resistência indígena ameaçado de demolição pelo poder público e pela iniciativa privada, com o objetivo de defender prédio e terreno para transformá-los num centro de convergência educacional, de preservação e difusão da cultura ameríndia. O projeto prevê a reforma do prédio para a criação no espaço da primeira Universidade Indígena do Rio de Janeiro, promovendo educação diferenciada, saberes ancestrais e ensino de História e Cultura Indígena (segundo os ditames da Lei nº 11.465/08, de março de 2008).
Está sendo previsto um centro de ensino à distância no local, com o objetivo de prover formação aos indígenas das partes mais remotas do país nas áreas de Educação, Meio Ambiente e Assistência Social, no sentido de facilitar a qualificação acadêmica e profissional aos cidadãos provenientes dos Povos Originários, que possuem o IDH mais baixo do Brasil.
O prédio, hoje em ruínas, foi sede do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), órgão fundado pelo Marechal Rondon. Nos anos 1950 abrigou o Museu do Índio, criado por Darcy Ribeiro, que foi desativado e transferido para o bairro de Botafogo em 1978. Desde então o prédio encontra-se abandonado, sem destinação, sendo depredado sucessivamente.
Indígenas de diversas etnias brasileiras, organizados no Movimento Tamoio, ocupam e defendem o espaço a fim de dar uma destinação indígena para o prédio concebido pelo Movimento como propriedade indígena. A ocupação se deu de forma pacífica, lembrando a forma como Darcy Ribeiro ocupou a antiga sede do SPI, então abandonada, para a criação do Museu do Índio.
Além das ameaças para deixarem o local, os indígenas resistentes do Antigo Museu do Índio são impedidos de vender seus artesanatos livremente nos pontos turísticos da cidade, por conta da Postura Municipal, o que fere o Estatuto do Índio (Lei 6.001/73) e a Convenção 169 da OIT, além de ameaçar gravemente a sustentabilidade dos ocupantes.
Atualmente ocupam o espaço cerca de 20 indígenas e descendentes, representantes das etnias Guajajara, Xavante, Pataxó, Fulniô e Puri, vivendo exclusivamente de artesanato e de doações. A política de doações se dá de forma precária, tendo alguns dos indígenas passado necessidades no empenho heróico de defender a posse do espaço, Patrimônio Indígena, precisando com urgência de alimentos e doações.
Além das ameaças para deixarem o local, os indígenas resistentes do Antigo Museu do Índio são impedidos de vender seus artesanatos livremente nos pontos turísticos da cidade, por conta da Postura Municipal, o que fere o Estatudo do Índio (Lei 6.0001/73) e a Convenção 169 da OIT, além de ameaçar gravemente a sustentabilidade dos ocupantes.
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Como forma de passar aos nossos leitores uma mensagem que traz o verdadeiro espírito do Natal, fujo à pauta do blog e abro espaço para o belíssimo texto abaixo.
Por Urariano Mota
Recife (PE) – Uma adolescente a quem desoriento em aulas de Português vem me pedir algumas palavras sobre o Natal. Diante do meu engasgo, ela me diz que qualquer coisa serve, e sinto que ela pensa em acrescentar, “qualquer coisa, até mesmo o que o senhor me diga”. E para não lhe dizer que procure pessoa mais qualificada, começo:
“O Natal é uma festa comercial, minha filha. É a data magna da hipocrisia universal. Nesse dia as pessoas dizem se amar. No Natal, as autoridades, os que têm boa vida divulgam e querem fazer crer que as diferenças acabaram entre os homens. Os ricos de bens materiais ficam subitamente espirituais, e com o estômago repleto arrotam que a melhor salvação é a da alma. (E penso, enquanto assim lhe falo, na Pequena Vendedora de Fósforos, de Andersen, mas minhas palavras não conseguem a graça dessa claridão.) No entanto, você sabe, os ricos continuam humanos em suas mansões, e os pobres continuam porcos em seus casebres, no mesmo dia 25. No outro dia, você sabe… (E penso nos Estranhos Frutos de Billie Holiday, mas minhas palavras não se iluminam com essa luz de negros enforcados em árvores no Sul dos Estados Unidos .) O Natal, minha filha …”.
E paro. O seu rosto reflete o desagrado de minhas palavras. Quem ensina a adolescentes aprende a ler nos seus olhos, nas suas bocas, o agrado ou a decepção do que pensa ensinar. Agora, enquanto escrevo, percebo que é uma vitória da sociedade de classes a crença em boas famílias, em belos pais, em generosos sentimentos, essa coisa resistente até mesmo em pessoas que só conheceram da vida a humilhação, a patada e os coices. A jovem com quem falo é uma adolescente pobre, filha natural, com somente esse adjetivo óbvio, da natureza, nada mais. Como um fruto da partenogênese. À primeira vista, ela possuiria todas as condições para entender o que lhe digo. Mas o seu rosto me faz parar. Sinto o grande mal que lhe causo em procurar ser verdadeiro numa data em que todos pedem e esperam e anseiam que sejamos todos absolutamente falsos. Talvez, reconsidero agora ao escrever, o seu desagrado se dê porque sou apenas convencional, comum, de um esquerdismo vulgar, quando queria ser verdadeiro como o leite que chupei em minha própria mãe. E convencional por convencional melhor seria que eu escrevesse no seu caderninho uma frase do gênero “sejamos durante todo o ano como neste dezembro 25”. Quanta besteira, quanta excrescência, quanto excremento!
Por isso eu lhe digo agora esta verdade mais dura, sem bandeira e sem panfleto, com a coragem que só possuímos a distância:
Eu também já acreditei em Natal, minha filha. Antes de saber que os homens se matam e se barbarizam e são feras todos os dias do ano. Antes, bem antes de receber um pontapé nas costas, na bunda, de um marujo norte-americano. Sabe o que é ser expulso do paraíso, do navio, do lugar onde se comia com fartura, sabe o que é ser empurrado e não se voltar para não se ver naquele estado de ser jogado fora como um pária, ou como um pus, um catarro? Sabe o que é baixar a cabeça, morto de vergonha, com medo e com pavor que outros vissem a sua pobre pessoa ser tratada assim aos berros por um marujo ensandecido? Sabe o que é chorar e descobrir sozinho pela primeira vez que Deus não existe, porque se existisse não permitiria que jovens cheios de amor e sentimento e poesia fossem chutados como bons filhos da puta que nunca deixaram de ser? Acredite, acreditei no Natal bem antes desses acontecimentos acontecidos quando eu tinha a sua idade.
Antes disso, minha filha, o Natal para mim foi um par de sapatos, belos, novos e marrons, e belíssimos e lindos e tão perfeitos e artísticos e caros como uma criança pode sonhar. A minha filha sabe o que é ter uns sapatos que vestem a gente até a alma? Pois, eu os ganhei. Quase, melhor dizendo. Porque num dia 25, logo cedinho, eles estavam embaixo da minha cama. Não que eu não tivesse sapatos, sim, eu possuía uns muito velhos, gastos, enrugados, quase sem sola, de cadarços desfiados. Pois, eu quase ganhei esses absolutamente novos. Ganhei-os, digamos, até o meio-dia dos meus 7 anos de idade. E para que todos também partilhassem da minha alegria, eu os exibi ao sol da minha janela, da casinha onde eu morava. Eu pensava que a felicidade se compartilhava. Eu pensava que a felicidade era um bem impossível de ser vivida por um menino só. (E até hoje, às vezes, este velho menino teima em pensar assim. Mas só às vezes.) Pensava. Roubaram-me o par de sapatos, minha filha, num dia 25 de dezembro. E como o meu pai era um homem de lições muito fortes e pedagógicas, deu-me uma surra pela infelicidade que tive em não ter o par de sapatos. Daí talvez me veio esse ar de homem que despreza a felicidade. Esta é a razão, mocinha: ficou em mim a sensação de que a felicidade é um bem que me vão roubar. Daí que dela desconfio, quando dela não tomo segura distância. Não ter felicidade é uma forma de sofrer somente um pouquinho.
A minha filha já vê que eu não lhe poderia dizer tais verdades para um dia de tamanha fraternidade. Então anote por favor no seu caderninho essa meia-verdade:
O Natal é a esperança de que algum dia em algum lugar um menino vá receber um par de sapatos marrons e vesti-los até a alma. Antes que alcance a sua idade, mocinha, antes que receba alguns sapatos pelas costas.
Colaboração enviada para o “Quem tem medo do Lula?” por Urariano Mota, jornalista e escritor. Autor do livro “Soledad no Recife”, recriação dos últimos dias de Soledad Barret, mulher do Cabo Anselmo, executada pela equipe de Fleury com o auxílio de Anselmo.
Artigo publicado originalmente no “Direto da Redação“.
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Copenhague – A nova guerra fria. O aquecimento global.
Por Laerte Braga
Para o governador de São Paulo, José Collor Serra, serviu para arrematar seu ataque desfechado a partir do Brasil contra o governador de Minas, Aécio Neves, acertar as contas com José Arruda (estava sendo chantageado, “se cair levo todo mundo comigo”) e se fazer visto como cidadão do mundo, apto a presidir o Brasil, caminhada que vem tentando desde 2002.
Gastou os tubos do dinheiro público, já que foi com comitiva, cumplicidade da grande mídia brasileira (toda compradinha e no bolso dele) e de quebra, reuniu-se com o governador da Califórnia, aquele ator de nome com grafia complicada e conhecido como Exterminador do Futuro. E que governa um estado falido, até porque completamente por fora do assunto disse que “Copenhague já é um sucesso”. Em sua ótica sim, recebe dos donos do mundo. Collor Serra é a aposta deles para o Brasil.
Para o mundo não resolveu problema algum, reforçou a certeza do descaso das grandes nações, as chamadas ricas, diante dos problemas ambientais resultantes da emissão de gases na atmosfera e nem Obama, quando percebeu o volume das manifestações populares na Dinamarca e no mundo exigindo mais que o marketing barato da Cervejaria Casa Branca, tentou algo além de uma jogada chinfrim para dizer presente e pronto.
A extinção da União Soviética, erro denunciado pelo próprio Mikhail Gorbachev (principal responsável pelo fato, imagem de estadista, dimensão real de político de segunda categoria), não trouxe o fim da guerra fria.
Ressurge, não tanto como a concebíamos à época, mas na luta de governo populares e algumas nações ditas emergentes, por algo mais que evitar o vapt vupt das bombas nucleares, mas o efeito devastador que o capitalismo provoca com seu “progresso” e toda a tecnologia de destruição, imperialismo, as novas versões do colonialismo, numa espécie de governo de terror mundial imposto pela globalização.
A Al Qaeda, por exemplo, causa danos bem menores que a ação predatória e criminosa dos Estados Unidos. São em larga escala. Quando no filme DOUTOR FANTÁSTICO de Stanley Kulbrick, um general boçal (são poucos os generais não boçais) fala em “vamos para as cavernas”, estava apenas retratando a visão do genial diretor sobre o futuro de um mundo massacrado pela insânia do abismo nuclear.
O abismo hoje é outro.
Azril Bacal é um sueco que não integra nenhum movimento social, não faz parte de nenhuma ONG, mas deslocou-se a Copenhague na leva de seres humanos que para lá foi na esperança de algum gesto ou decisão no sentido de salvar o planeta.
Triunfaram os predadores..
“Después de 3 horas de sueño, partí a las 03.00 desde Copenhagen para Uppsala, en una jornada increíble de retorno, cuyos detalles constituyen un microcosmos revelador del entorno que nos rodea…
Resumiendo, hasta las 03.00 los participantes de la reunión de los “mano puliti” no habían logrado un consenso mínimo para un acuerdo razonable, negociado, para enfrentar y resolver la crisis climática, a pesar de los intentos de presión y manipulación bilateral, tradicionales de los poderes coloniales y neocoloniales para dividirnos y controlarnos (“divide et impera”)”….
“Gracias a la presencia en el Bella Center de unos pocos gobiernos aliados de los Movimientos Sociales – y por lo tanto, de la Madre Tierra y de la Humanidad, ya no es tan fácil doblegar la voluntad del G-77, como estaban acostumbrados los poderosos/privilegiados de todos los tiempos.
No debemos sorprendernos si Obama saca un conejo del sombrero a última hora, para intentar satisfacer a una galería que ya no se deja satisfacer las medidas convencionales de pan, circo, fútbol, porno y/o alguna guerra inventada con un país vecino, para distraer a la opinión pública, manipulando los sentimientos nacionalistas, como estamos acostumbrados en América Latina”
O relato de Azril mostra o tamanho e a dimensão de Evo Morales e seu discurso propondo uma organização alternativa às Nações Unidas para que o mundo sobreviva, encontre caminhos alternativos ao modo colonial dos poderosos e surpreendeu a lucidez de um índio boliviano, reeleito com mais de dois terços dos votos de seu povo, há duas semanas atrás.
E relata.
“Les contaba que anoche iba camino a escuchar a Evo – y lo logré y valió la pena, compañer@s, camaradas, hij@s, niet@s y amig@s. VALIÓ LA PENA
El lenguage de Evo es receptivo a nuestras voces. Entre los momentos preciosos de su discurso nos propuso un plebiscito planetario de 6 puntos, terminando con la consulta/pregunta si aceptabamos la creación de un Tribunal Popular para juzgar/condenar a los países y empresas culpables de dañar a la Madre Tierra, agravando y no ayudando a resolver la Crisis Climática
Creo que las palabras sabias y promisoras de Evo coinciden con las reflexiones del 17/12 de ir preparándonos para organizar la Asamblea Planetaria de los Pueblos, por medio de la cual lograr una “Gobernabilidad” al servicio de los Pueblos del Mundo y no de los intereses mezquinos establecidos por las aristocracias, las plutocracias y los gobiernos a su servicio. Algo así como una ONU de nosotros Los Pueblos del Mundo, para lograr, finalmente, construír Estructuras/Culturas sustentables de Justicia, Paz y
Solidaridad/Amor.
Con estas palabras, este veterano se despide por hoy, fatigado, dolido e increíblemente inspirado y esperanzado, para atender asuntos más prosaicos como un poemario y un tratamiento para mis rodillas, dolidas y orgullosas por haber logrado, privilegiadamente, marchar con humildad, por mis hijos, por mis nietos, por las generaciones venideras y por la Madre Tierra y por toda la Humanidad”…
O fracasso dos donos, mostrado na ganância, na forma estúpida com que tratam nações que chamam de pobres ou emergentes. A forma desumana com que sobrepõem seus interesses e negócios. O terror do neoliberalismo foram descritos por Evo, segundo Azril a figura mais importante e reconhecida assim pelos milhares de manifestantes e forças que lá estavam para exigir de farsantes como Obama algo de concreto, para além das aparições acendendo árvores de Natal, ou servindo cerveja na Casa Branca, acabou por ensejar uma percepção que já era clara e cada vez vai se tornando mais transparente.
Outra vez a palavra de Evo na interpretação de Azril.
Para empezar, aunque te agradezco por la promoción, no soy un
dirigente social, al menos ni me veo ni quiero verme como dirigente
A duras penas, hago lo que puedo por las causas que me inspiran…
Ahora, lo más importante: Ayer fué un día de grandes victorias para el
movimiento popular planetario. Entre ellos, cabe mencionar que entre
200 y 300 personas en el recinto del Bella Center que se identificaban
con nosotros, decidieron e intentaron salir del recinto para
encontrarse con los marchantes y al menos un ó 2 delegados renunciaron
en protesta, tanto por la inoperancia de los “cumbristas oficiales”
como por la represión policial. El compañero Hugo Chávez elogio a los
marchantes durante su discurso, entre otros temas importantes. Se
logró reunir la Asamblea Popular. Los marchantes del primer bloc
entablaron diálogo con los policías que los custodiaban, recordándoles
de su condición humana, una señora los llamó de “sexys” y en ese
proceso algo se logró de humanización en estos policías, después de 4
horas de interacción – al punto de proteger a sus custodiados de los
otros policías que estaban dispuestos a golpear, como entrenados
Sin duda, Evo Morales es el líder más popular entre los participantes
del KlimaForum, estableciendo un puente entre los Pueblos Indígenas -
cuando llegan al poder/gobierno y los movimientos sociales y las
diversas organizaciones de la “sociedad civil”. Esta tarde a las 16.00
seremos muchos los que estaremos en el Valbyhallen para escuchar a
Evo, cuya voz es la voz de todos nosotros.
Esta noche regreso a Suecia, sabiendo que Cony, la Presidenta Danesa
de la Cumbre ha renunciado, lo que implica un fracaso de la Cumbre
Oficial y la emergencia de una instancia nueva en la historia de la
Humanidad que busca formas de articularse para, finalmente, gobernar
por el Bien Común…
Otros Mundos Posibles se están también construyendo a partir de
Copenhagen, en este histórico Diciembre 2009.
Temos uma nova guerra fria, curiosamente em contraponto, o aquecimento global. A perspectiva real de destruição do ambiente em curto prazo e em termos de História. A conduzi-la neste momento um prêmio Nobel da Paz que vai enviar 30 mil homens ao Afeganistão para “terminar o serviço”.
É a luta de sobrevivência da espécie e do ser humano como tal. A existência, a coexistência e a convivência em bases dignas e humanas. Não passa mais pela ONU, nem por organismos oficiais controlados pelos senhores do terror democrático, cristão e ocidental.
Passa pelas vozes de índios. De todos os povos do mundo, mas ao largo do que chamam ordem instituída.
Essa é mortal e Copenhague tem dois lados. O deles, donos, cínicos e sem resposta porque não se importam com a vida em si. O outro, pela construção do mundo alternativo percebendo que as portas que se abrirão a todos nós não estão nas palhaçadas eleitorais de José Collor Serra, figura menor nessa conversa, aqui um exemplo, ou nos coelhos que Obama tenta tirar da cartola para que JORNAIS NACIONAIS mostrem o “líder da mudança”.
E a culpa certamente não é do Irã. Nem do MST. Muito menos dos milhares de civis que morrem de fome diariamente em todos os cantos do mundo.Fome à qual se soma a doença do colonialismo capitalista. E tampouco dos palestinos que têm sua água roubada pelo povo eleito de Israel.
Copenhague é um marco divisor. Não temos nada a ver com essa tragédia deliberada e orquestrada a partir de um tsunami de “progresso”.
Mas com a luta que é a mesma dos tempos da guerra fria. Pela liberdade e agora mais que nunca, pela espécie humana e seu caráter humano.
Obama e os donos são meros bonecos infláveis montados e exibidos na mentira do capitalismo.
É mais ou menos “quem quer um bom dia diga eu” e depois escolha a gravata do robô da verdade única de um mundo em marcha acelerada para a extinção, ou quem quer um mundo onde seres humanos não seja reses nesse espetáculo de desvario de senhores graves e de linguagem técnica, mas que não entendem nada de vida, são apenas os exterminadores do futuro.
Quando Bil Clinton, no célebre debate com Bush pai proclamou que “é economia seu estúpio”, estava apenas definindo o conceito que norte-americanos e seus parceiros têm da humanidade. Para além daquela eleição. Ate porque a linguagem dos Bush ainda é a do tacape.
- Ao nosso novo articulista/colaborador, o jornalista Laerte Braga, as boas-vindas!
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Do Brasil para o 1º mundo:
EU NÃO SOU CACHORRO NÃO!
“Eu não sou cachorro não
Pra viver tão humilhado
eu não sou cachorro não
Para ser tão desprezado”
(Valdick Soriano)
Por Celso Lungaretti
O caso de Sean Goldman, de 9 anos, cuja guarda é disputada pelo pai estadunidense David e pela família brasileira da falecida mãe, teve um desdobramento bizarro nos últimos dias: o senador democrata Frank Lautenberg anunciou a suspensão por tempo indeterminado da votação da medida estendendo para 2010 um programa de isenção tarifária que beneficia as exportações brasileiras.
O Governo tem até o dia 31 para suas gestões no sentido de superar o impasse, caso contrário o prejuízo para os exportadores brasileiros deverá ficar na casa de US$ 3 bilhões.
Está difícil: o pomo da discórdia foi uma liminar do ministro Marco Aurélio de Mello, do Supremo Tribunal Federal, suspendendo decisão do Tribunal Regional Federal no sentido de que Sean voltasse imediatamente para os EUA com seu pai. Marco Aurélio quer que, após o recesso do STF, seja finalmente ouvido Sean, cuja preferência é permanecer no Brasil.
O senador Lautenberg, ou está jogando para a platéia (Paulo Francis ressaltava que a população dos EUA é predominantemente de jecas, com raros bolsões de vida inteligente…), ou tem ele mesmo cérebro de minhoca: o Supremo jamais poderá ceder à sua chantagem imunda, caso contrário seria o caso de fechar de vez.
O certo é que as pressões arrogantes e descabidas sobre o Brasil viraram moda. Estamos conseguindo nos livrar do complexo de viralatas, mas isto não impede que as autoridades de países do 1º mundo continuem nos tratando a pontapés.
Vide as reações exacerbadas dos italianos à decisão soberana do Governo brasileiro de conceder refúgio humanitário ao escritor Cesare Battisti, bem diferentes dos protestos tímidos que emitiram quando o presidente francês Nicolas Sarcozy lhes enfiou idêntico sapo goela adentro, no Caso Marina Petrella:
- ministros e até autoridades de segundo escalão ousaram conclamar Lula a revogar a decisão do seu ministro da Justiça, cometendo uma crassa grosseria diplomática (à intromissão insultuosa em nossos assuntos internos se somou o desrespeito à figura do presidente brasileiro, cujos interlocutores protocolares são o presidente Giorgio Napolitano e o premiê Silvio Berlusconi);
- o embaixador foi chamado à Itália para consultas e “discussão de novas diretrizes”;
- o vice-presidente da bancada governista na Câmara dos Deputados da Itália pregou a suspensão das relações com o Brasil;
aproveitando o fato de estarem presidindo o G-8 (grupo dos países ricos), os italianos insinuaram que poderiam dificultar o almejado ingresso do Brasil;
- o vice-prefeito de Milão conclamou os italianos a boicotarem os produtos brasileiros;
- o vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado exortou os italianos a boicotarem o Brasil como destino turístico;
- o ministro da Defesa (o neofascista Ignazio La Russa, aquele que até hoje reverencia a memória dos militares da República de Saló que enfrentaram as forças aliadas na 2ª Guerra Mundial…) e o subsecretário das Relações Exteriores defenderam o cancelamento da partida de futebol com o Brasil, enquanto a ministra da Juventude recomendou que os jogadores entrassem em campo com faixas de luto.
Last but not least, o ministro da Justiça Angelino Alfano declarou a uma associação de vítimas da ultraesquerda (e o Corriere della Sera publicou), textualmente (!), que pretendia f… os brasileiros, ao prometer-lhes que a pena de Cesare Battisti seria reduzida de prisão perpétua para 30 anos de detenção.
Ou seja, nossas leis vedam que um estrangeiro seja extraditado para cumprir pena superior à máxima daqui e Alfano admitiu de público que nos estava enrolando com uma falsa promessa, pois queria mesmo é nos f…
[Aliás, o jurista Dalmo de Abreu Dallari acaba de bater na mesma tecla, enfatizando que o governo italiano, a despeito das promessas vazias que faça, não tem poder para modificar uma sentença judicial definitiva, daí a existência de um impedimento constitucional intransponível para a extradição de Battisti.]
Já está mais do que na hora de mostrarmos nossas garras àqueles que nos pressionam/chantageiam a torto e a direito, referindo-se a nós como otários prontos para serem f… pelos espertalhões dos países centrais e às nossas mulheres como meras prostitutas (“o Brasil é conhecido por suas dançarinas”)…
Colaboração enviada para o “Quem tem medo do Lula?” por Celso Lungaretti, jornalista, escritor e ex-preso político. Celso mantém o blog “Náufrago da Utopia” e é autor de livro homônimo sobre sua experiência durante a ditadura militar.
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O Prof. William, responsável pelo blog que tem a coragem de se denominar “Brasil Verdade”, diz em seu perfil que “passou a vida lutando contra a ditadura militar e os políticos pilantras”, mas não se acanha em chupar textos inteiros deste blog e de vários outros sem, em nenhum momento, dizer o nome dos autores dos textos. Confiram vocês mesmos…
Consegui identificar lá pelo menos quatro textos de minha autoria copiados daqui ou talvez até de outros sites. Um deles com dedicatória e tudo! Em nenhum momento, o meu nome aparece. Vejam:
Vejam lá: http://mostrandoaface.blogspot.com/2009/09/o-dom-de-irradiar-esperanca-jk-lula-e.html
Vejam aqui: http://quemtemmedodolula.wordpress.com/2009/09/26/o-dom-de-irradiar-esperanca-jk-lula-e-a-imprensa/
Vejam lá: http://mostrandoaface.blogspot.com/2009/12/comentarista-da-rbs-afiliada-da-globo.html
Vejam lá: http://mostrandoaface.blogspot.com/2009/09/lula-um-dicionario-rico-e-coerente.html
Vejam aqui: http://quemtemmedodolula.wordpress.com/2009/09/10/lula-um-dicionario-rico-e-coerente/
Vejam lá: http://mostrandoaface.blogspot.com/2009/11/no-sol-de-quase-dezembro-uma-cronica.html
Vejam no Observatório da Imprensa: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=563FDS012
O cara é tão cara de pau que copia também traduções deste blog, dizendo que é tradução exclusiva! Confiram:
Vejam lá: http://mostrandoaface.blogspot.com/2009/10/missao-do-brasil-e-transformar-o-mundo.html
Consegui identificar também pelo menos um texto do Urariano Mota também sem a autoria e também copiado daqui.
Vejam lá: http://mostrandoaface.blogspot.com/2009/09/lula-as-pesquisas-e-o-povo.html
Vejam aqui: http://quemtemmedodolula.wordpress.com/2009/09/24/lula-e-as-pesquisas/
Consegui identificar também pelo menos um texto do jornalista Laerte Braga sem autoria, talvez copiado daqui ou de outro site:
Vejam lá: http://mostrandoaface.blogspot.com/2009/09/honduras-nem-so-de-stephanes-e-feito-o.html
Vejam aqui: http://quemtemmedodolula.wordpress.com/2009/09/23/nem-so-de-reinold-stephanes-e-feito-o-governo-lula/
Tem até texto de José Dirceu por lá sem autoria e também descaradamente copiado daqui:
Vejam lá: http://mostrandoaface.blogspot.com/2009/09/honduras-e-o-jornalismo-marrom.html
Vejam aqui: http://quemtemmedodolula.wordpress.com/2009/09/24/honduras-e-o-jornalismo-marrom/
Falando em José Dirceu, o autor do tal blog é tão cara de pau, mas tão cara de pau, que reproduziu lá uma entrevista feita pelo José Dirceu, como se fosse ele que tivesse feito, reparem que, em nenhum momento o nome do entrevistador (José Dirceu) aparece. O cara “se deu ao trabalho” de tirar, é mole ou quer mais?
Vejam isso lá: http://mostrandoaface.blogspot.com/2009/12/midia-brasileira-e-o-pior-dos-mundos.html
Vejam a mesma entrevista reproduzida neste blog: http://quemtemmedodolula.wordpress.com/2009/12/15/jose-dirceu-entrevista-altamiro-borges-que-sentencia-a-midia-brasileira-e-o-pior-dos-mundos/
Identifiquei ainda um texto do sociólogo Francisco Barreira, não sei se ele copiou daqui ou do blog do Barreira:
Vejam lá: http://mostrandoaface.blogspot.com/2009/12/cansado-de-brigar-com-os-fatos-o-globo.html
Até texto da arqueóloga francesa Fred Vargas está por lá sem autoria:
Vejam lá: http://mostrandoaface.blogspot.com/2009/09/13-perguntas-ao-ministro-relator-cezar.html
Gente, a coisa é seríssima, o cara é compulsivo. Há vários outros textos sem autoria que eu conheço os autores e muito provavelmente foram copiados daqui.
Vejam lá (observem que o cara é chegado a copiar dedicatórias e agradecimentos, mas a autoria dos textos que é bom, necas…): http://mostrandoaface.blogspot.com/2009/09/rs-depoimento-de-empresario-revela-que.html
A quantidade é tão absurda que não vale nem a pena citar todos aqui. E ele copia também dos mais diversos blogs e sites, só “se dá ao trabalho” de, cuidadosamente, retirar o nome do autor.
Há texto copiado do “Conversa Afiada”, de Paulo Henrique Amorim, que também lá está sem autoria:
Vejam lá: http://mostrandoaface.blogspot.com/2009/09/furo-de-reportagem-leia-o-editorial-do.html
Vejam no “Conversa Afiada”: http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=18877
Confiram abaixo mais dois exemplos de textos que estão lá sem autoria e que eu sei de quem são e de onde ele tirou:
Vejam lá: http://mostrandoaface.blogspot.com/2009/09/o-catecismo-da-conversao.html
Vejam no “Vi o Mundo” (texto de Maurício Dias, reproduzido de Carta Capital): http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/o-catecismo-da-conversao/
Falando em “Vi o mundo”, há texto do próprio Luiz Carlos Azenha também reproduzido lá sem autoria:
Vejam lá: http://mostrandoaface.blogspot.com/2009/11/serra-sera-o-candidato-de-washington.html
Vejam no “Vi o mundo”: http://www.viomundo.com.br/opiniao/serra-sera-o-candidato-de-washington/
Peço que espalhem isso pela blogosfera. Isso é crime contra a propriedade intelectual, devidamente previsto na legislação de direitos autorais. A internet é e deve ser livre? Claro! Mas liberdade de manifestação de idéias é uma coisa, plágio é outra bem diferente. Só posso lamentar por um cara desses. Ele deve sofrer muito com sua própria pobreza criativa. Visitem o blog e constatem vocês mesmos. É só isso o que o blog dele faz. Chupar textos inteiros de outros blogs sem citar a autoria. Eu se fosse o cara teria vergonha, mas gente assim não sabe o que é isso. Observem que o sujeito se diz professor! Um professor que copia textos se dando ao trabalho de tirar o nome dos autores. Realmente este mundo está perdido. O mais tragicômico é que no subtítulo quase ilegível do blog, logo abaixo do título “Brasil Verdade”, ele diz: “Não se tem medo de falar a verdade, doa a quem doer, nem se tem medo de mostrar a face e assumir o que se diz.” É pra rir ou pra chorar? “Mostrar a face” de quem cara pálida? Conto com a colaboração de todos para estragarmos a “brincadeira” do cara.
Aproveito para desejar, pela equipe do blog, um Feliz Natal a todos os leitores que nos prestigiam, fazendo com que este blog atingisse hoje a marca de 40 mil visitas em 9 meses. Valeu, pessoal!
Ana Helena Tavares
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Olá pessoal!
Retorno ao blog, após um mês de afastamento por motivos pessoais, e aproveito a oportunidade para parabenizar aos editores e colaboradores pelos excelentes posts aqui publicados.
Meus sinceros agradecimentos, em especial, a colega Ana Tavares, a quem dedico este post.
Veja como o ex-presidente Fernando Collor trata a jornalista ex-global Sonia Bridi, em entrevista ao Jornal Nacional.
No final, repare na cara do jornalista “Homem-Cueca”.
Roder
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Adoniran Barbosa provavelmente não gostaria dessa história. Isso não temos como saber, mas, como mostra a matéria abaixo, Serra está odiando.
Governador paulista quer frear escândalo Arruda, diz jornalista
“Isso respingaria na minha candidatura”, teria dito, segundo testemunho de senador bem informado
Por Sérgio Cruz, no jornal “Hora do Povo“
Segundo relato de Rodrigo Viana, ex-jornalista da Rede Globo e responsável pelo blog “Escrevinhador”, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), intercedeu junto à emissora pedindo para “pegar leve com Arruda” e evitar maiores repercussões sobre o esquema de propina descoberto no governo de José Roberto Arruda/Paulo Otávio, revelado pela Operação “Caixa de Pandora”, da Polícia Federal.
“Isso respingaria na minha candidatura”, teria argumentado o tucano, na descrição de Rodrigo Viana, que tem como fonte um senador. Este parlamentar, diz Viana em seu blog, tem informações seguras sobre o esquema do governador do DF. “Em julho, ele avisou a vários jornalistas que havia uma fita de Arruda pegando dinheiro. Poucos acreditaram. As fitas estão aí”, lembra Viana, descrevendo o parlamentar como “um dos mais bem informados do Congresso (ele transita bem entre governistas, mas é de um partido que tem boas relações com a oposição)”.
Agora ele adverte que a fita mais impactante ainda não foi divulgada. Arruda apareceria numa cena de “adoração monetária”, louvando as notas novinhas em folha. “Eu vi a fita, ela existe. Só não sei se vai aparecer”, disse o membro do Senado.
O senador deu as informações numa conversa em “off” com jornalistas: “a Globo vai tirar o pé do escândalo, o Serra chamou a direção de jornalismo e ‘pediu’ (ênfase irônica) para baixar a bola, e não bater tanto no Arruda”, informou o parlamentar. O que tem atrapalhado o plano tucano de sumir com o escândalo são as manifestações, carreatas e protestos quase diários exigindo a saída do governador e do vice. Além disso, destacam-se as ações da OAB-DF e outras entidades, que estão determinadas a não descansar enquanto Arruda, Paulo Otávio e sua turma não forem defenestrados do Palácio do Buriti.
Na avaliação do ex-jornalista da Globo seria difícil ignorar um escândalo desses. Mas, em sua visão, tudo é uma questão de ênfase jornalística. O pedido de Serra, segundo ele, “não foi pra sumir com o caso, mas pra baixar a bola…”. Coincidência ou não, na mesma hora em que a Rede Record fazia uma reportagem de meia hora sobre a pancadaria promovida por Arruda contra os estudantes em frente ao Palácio do Governo do Distrito Federal, no início da semana passada, a Globo apresentava uma reportagem sobre um robô no Japão. Também na mesma semana, o “panetonegate” já tinha sumido da primeira página da “Folha”. Mas, no caso da Folha, nem precisaria mesmo do “pedido” de Serra. Para se ter uma idéia da “isenção” dos Frias, no auge do escândalo de Arruda, uma das manchetes da “Folha”, foi “Dinheiro do BNDES sai mais rápido para petistas”.
“Parece inacreditável. Mas, nesse caso, quase tudo parece inacreditável: das meias e cuecas à desculpa do panetone… Eu já não duvido de mais nada”, comenta o blogueiro, atualmente trabalhando na TV Record de São Paulo.
Num dos novos filmes revelados esta semana Arruda aparece pedindo a Durval Barbosa que arranje um emprego para seu filho, além de insinuar que tem algum esquema no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Além de receber os pacotes de dinheiro, ele diz “isso aqui é para resolver as questões no TSE”. Sobre seu filho, ele acrescenta. “O menino formou em economia. Você arranja aí uma colocação para ele numa dessas empresas do esquema, mas não deixa ninguém saber que ele é meu filho”. Segundo alguns cálculos, cerca de R$ 500 milhões foram desviados pela quadrilha chefiada por Arruda. Tudo devidamente filmado e gravado por Durval Barbosa, até então, homem de confiança do governador.
A preocupação do tucano com o desgaste que sofrerá com a continuidade das notícias sobre o caso Arruda tem fundamento. Serra tinha praticamente convidado o governador para compor sua chapa como vice na eleição de 2010. Ele estava tão empolgado com Arruda que já tinha até um magnífico e criativo slogan para a campanha eleitoral da dupla. “Vote num careca e ganhe dois”, disse Serra, sob risos e aplausos de seguidores de ambos, numa reunião realizada em setembro, em Brasília. O encontro, que teve a presença dos “dois carecas” foi realizado para a assinatura de um convênio entre a Sabesp (empresa de saneamento paulista) e a Caesb, sua congênere no Distrito Federal.
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O FIASCO NATALINO DA FABBRICA ITALIANA DI BUFFONATAS
Por Celso Lungaretti
A Fábrica Italiana de Farsas não cumpriu sua meta natalina e vai fechar 2009 no vermelho.
Depois do fracasso da tentativa de tornar obrigatória a extradição do escritor Cesare Battisti — que não cabe e jamais coube ao Supremo Tribunal Federal decidir, mas, tão somente, autorizar –, a Itália contra-atacou com um golpe propagandístico… que deu totalmente com os burros n’água.
Primeiramente, o advogado brasileiro que lhe presta serviços na empreitada de detonar a soberania brasileira deu entrada numa questão de ordem que não tinha mais razão de ser, já que o julgamento do Caso Battisti estava encerrado.
Pressurosamente, o relator Cezar Peluso acolheu mais essa indevida e inaceitável interferência estrangeira num processo brasileiro.
De alguma maneira, convenceu-se o ministro Eros Grau a retificar seu voto num detalhe insignificante. Decerto ele cedeu por por saber que nada, realmente, mudaria.
Aí, o presidente Gilmar Mendes correu a fazer nova proclamação do resultado do julgamento, quando o certo seria apenas esclarecer tal ponto no acórdão, quando o publicassem em 2010.
Para azar da Fabbrica Italiana di Buffonatas e de sua ativa sucursal brasileira, o ministro Marco Aurélio de Mello desmistificou prontamente o embuste, denunciando-o como uma “virada de mesa”.
Mesmo assim, a banda de música italobrasileira fez o possível para aproveitar a munição de má qualidade que Mendes e Peluso lhe forneceram.
o advogado brasileiro que fala orgulhosamente em nome da Itália deu declarações que colocam o presidente do Brasil na condição de cocô do cavalo do bandido, sem poder para decidir coisa nenhuma:
“A Itália está confiante que o presidente vai cumprir o tratado. Na minha visão, o presidente está obrigado a entregar Battisti. Ele [Lula] pode até adiar a entrega porque ele [Battisti] responde a processo [no Brasil], mas terá que entregar”.
O ministro da Justiça italiano evitou desta vez desincumbir-se pessoalmente da tarefa de exercer pressões descabidas sobre o governo de um país soberano, delegando o serviço sujo ao seu chefe do departamento de assuntos jurídicos, Italo Ormanni.
Sem atentar para o singelo fato de que seu real interlocutor é o assessor congênere de Tarso Genro, o tal Ormanni se dirigiu pretensiosamente ao presidente Lula para pedir-lhe que cumpra a “decisão” do STF e extradite o “terrorista” Battisti.
Espera-se que o chefe da consultoria jurídica do nosso Ministério da Justiça, Rafael Thomaz Favetti, também dê declarações aos jornais brasileiros sobre como Berlusconi deverá proceder em assuntos internos italianos, como o da perseguição brutal que move contra os imigrantes.
Só que, certamente, os serviços noticiosos da Itália jamais distribuiriam a seus clientes uma bobagem dessas, como fez a Folha On Line com as ridículas declarações de Ormanni.
[Por falar na Folha On Line, vale registrar que, fiel às diretrizes do jornal da ditabranda, ela continua se referindo a Battisti como o terrorista que teria sido três décadas atrás, e não como o escritor que é hoje, com 17 livros publicados.]
STF = LOJA DE CONVENIÊNCIA?
O certo é que a repercussão do factóide jurídico e das declarações lobbistas foi das mais inexpressivas. Nem mesmo a grande imprensa brasileira, tão parcial em tudo que se refere a Battisti, embarcou pra valer nessa canoa furada.
O tiro pela culatra, como sempre, deu força a quem queria atingir. O ministro da Justiça Tarso Genro deitou e rolou em cima dessa vacilada, dando declarações contundentes e irrefutáveis:
“O STF não é loja de conveniência para ficar mudando de decisão na calada da noite”.
“É um profundo equívoco achar que a Suprema Corte adotou posição diferente da estabelecida no julgamento do dia 18 de novembro. Nem poderia, pelo fato de o julgamento já estar encerrado”.
“Nada mais fez o ministro Eros Grau do que salientar o óbvio, ao observar que o presidente tem de agir nos termos do tratado de extradição entre Brasil e Itália”
“o advogado da Itália no processo, depois da sessão do STF, divulgou informação fantasiosa e falaciosa com o objetivo de pressionar e constranger o presidente Lula”.
A palavra final coube ao maior jurista brasileiro vivo, Dalmo de Abreu Dallari, que pontificou:
“Essa tentativa de fazer prevalecer a vontade do governo italiano sobre a vontade do povo brasileiro, consagrada na Constituição, já foi externada e repelida várias vezes e agora tomou novo alento porque o ministro Eros Grau, dando maior precisão ao voto proferido no julgamento do pedido de extradição de Battisti, esclareceu o que quis dizer quando falou em decisão discricionária do presidente.
“Externando o que, para as pessoas bem informadas e de boa-fé, era óbvio, disse agora o eminente ministro que jamais teve a intenção de afirmar que o presidente da República poderá decidir arbitrariamente, mas deverá fundar-se na Constituição. Assim, pois, o ministro Eros Grau não modificou o seu voto, mas apenas explicitou o óbvio: na decisão sobre o pedido de extradição, que é de sua competência privativa, como diz a Constituição e foi reafirmado pelo Supremo Tribunal Federal, o presidente da República deverá ter em conta o que determina a Constituição brasileira”.
Finda a comédia, os bufões saem do palco não sob aplausos, mas sim debaixo de vaias e ovos podres.
Colaboração enviada para o “Quem tem medo do Lula?” por Celso Lungaretti, jornalista, escritor e ex-preso político. Celso mantém o blog “Náufrago da Utopia” e é autor de livro homônimo sobre sua experiência durante a ditadura militar.
Sobre o mesmo assunto, leia também:
“EXTRADIÇÃO INCONSTITUCIONAL“, artigo do respeitado professor e jurista Dalmo Dallari, publicado hoje, 18 de Dezembro de 2009, no Jornal do Brasil.
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Durante seu discurso, que durou cerca de 15 minutos, Lula foi aplaudido 4 vezes.
Saiba mais no Blog do Planalto.
Agradeço ao Paulo Ávila pelo envio deste vídeo como colaboração para o “Quem tem medo do Lula?”.
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Estamos diante de um novo tipo de coordenação entre povos e Estados. Talvez fosse melhor falar em transição da transição. Um ponto de ruptura com a época em que o único sistema de coordenação possível era ditado pela Operação Condor.
A crônica do ano de 2009 constitui um rico terreno a ser explorado pela lupa de historiadores e cientistas políticos. Tanto no Brasil, como no restante da América Latina, o cotidiano político produziu um rosário de fatos relevantes capaz de revelar o que se passa nas engrenagens das sociedades da região.
No geral, as tendências democráticas acumularam forças, ampliaram o seu âmbito de influência em detrimento das velhas ordens carcomidas, consolidando e conquistando posições. Honduras foi a exceção, que de tão bizarra, confirmou a regra de uma América Latina que expressa, de maneira patente, sua vocação democrática.
O resultado das eleições bolivianas prova, com a própria dinâmica, que o movimento real, no sentido da democracia concreta, é sinuoso e se desenvolve desigualmente. A “velha toupeira” trabalha infatigável e a reafirmação da nova ordem política mostra um continente em que trabalhadores, camponeses e indígenas recuperam as forças perdidas em batalhas anteriores, demonstrando a robustez de movimentos sociais extremamente articulados.
Não foi outro o motivo que levou Evo Morales, falando do Palácio do Governo, na Praça Murillo, a afirmar que” essa vitória foi um aviso do povo a governos anti-imperialistas”, agradecendo aos bolivianos por lhe dar a oportunidade de continuar a trabalhar para a eqüidade e a unidade no país sul-americano.
O líder aymara sabe que a condição para o avanço da democracia em seu país reside justamente na unidade e na abrangência das forças que o apóiam. Ambas -unidade e abrangência- serão imprescindíveis para resistir à ofensiva das oligarquias derrotadas, permitindo a formulação de novas alternativas econômicas, sociais e políticas.
Na Argentina, com a aprovação da Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual, o governo de Cristina Kirchner confrontou a estrutura oligopolizada e a propriedade cruzada dos meios de comunicação. De acordo com o dispositivo legal, o setor privado poderá ter somente 33% das licenças do espectro radioelétrico, sendo o restante distribuído entre o Poder Público, as organizações sem fins lucrativos e as universidades. Tendo em conta a centralidade da grande imprensa no processo político, o ganho dos movimentos sociais com a medida é imenso.
Por aqui, a Conferência Nacional de Comunicação, convocada pelo presidente Lula, é, por si só, um avanço significativo. A mídia corporativa declara estar em curso um processo autoritário que, buscando “controlar a produção e distribuição de informação”, objetiva ameaçar a liberdade de imprensa e o direito do cidadão à livre informação.
O famoso “diga-me com quem andas” não deveria ser lembrado quando vemos que a grita contra o encontro une alguns notáveis jornalistas a entidades como a ANJ e a Abert? Não vemos apenas a reação de hegemonias ameaçadas pela ação de um governo que, ainda que excessivamente cauteloso, ousou afrontar a produção de pensamento único?
Uma grita que perde qualquer sentido quando observada a composição tripartite da Confecom, seu caráter democrático e plural. Em jogo, mais que o poder político e o novo marco regulatório exigido pelas novas tecnologias, está a possibilidade de efetivação de um processo comunicativo horizontalizado, premissa básica de qualquer democracia
Por fim, foi na política externa que o bloco liberal-conservador sofreu outra derrota. A aprovação do ingresso da Venezuela no Mercosul, após duro embate entre governo e oposição no Senado, foi a vitória dos que apostam no Mercado Comum como espaço de integração. Apesar de ainda não terem superado incompreensões que obstaculizam ações unitárias, fundamentais para o enfrentamento de assimetrias, as forças progressistas da América Latina reiteram a opção pelo caminho sem volta de uma união soberana.
Estamos diante de um novo tipo de coordenação entre povos e Estados. Talvez fosse melhor falar em transição da transição. Um ponto de ruptura com a época em que o único sistema de coordenação possível era ditado pela Operação Condor. Uma conjuntura sombria onde as oposições burguesas mostraram o caráter mesquinho de seus supostos projetos de redemocratização. Os reais objetivos, sabemos todos, nunca passaram de tentativas mal dissimuladas de negociação com a ditadura, de melhores posições no jogo político montado para oprimir o povo.
São esses mesmos setores, com ar de vestais de republiqueta, que hoje se opõem a Chávez, Lugo, Morales, Ortega, Kirchner, Lula e Correa. Continuam lutando por uma democracia depurada do elemento popular que a define. Não gostam apenas de paradoxos lógicos; amam retrocessos que levem a pactos intra-elites. Assim, a fragmentação das forças progressistas chilenas, que deu à direita uma vitória expressiva no primeiro turno das eleições presidenciais, deve servir como alerta ao campo democrático-popular brasileiro. Em 2010 não nos faltarão emoções fortes. Melhor evitar as desnecessárias.
Em tempo: Ao alterar o texto do julgamento do pedido de extradição de Cesare Battisti, o STF termina o ano aceitando chicanas de toda ordem, fato reconhecido até por ministros da Casa. É de Marco Aurélio Mello a constatação: “o que o governo da Itália pretende é uma virada de mesa”.
Colaboração enviada para o “Quem tem medo do Lula?” por Gilson Caroni Filho, professor titular de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da “Carta Maior” e colaborador do “Jornal do Brasil”.
Artigo publicado originalmente hoje, 17 de Dezembro de 2009, na Carta Maior.
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Novo factóide visa pressionar Lula
Por Celso Lungaretti
Frenesi na internet: o que estarão tramando agora os linchadores de Cesare Battisti agora?
Foi o que me perguntaram, preocupadíssimos, vários companheiros, abarrotando minha caixa de mensagens.
Respondo: em termos práticos, o quadro em nada mudou.
Não confiem na imprensa burguesa. Ela mente, como sempre, a serviço dos reacionários daqui e da Itália. Não se vexa de priorizar os interesses de uma nação estrangeira, tomando partido contra a soberania e a dignidade nacional.
O que houve foi o seguinte:
já no julgamento, depois de perderem a terceira votação, os ministros linchadores do STF fizeram forte pressão sobre Eros Grau, tentando forçá-lo a alterar seu voto, ao que ele respondeu, irritado, que votava exatamente como seus colegas Carmen Lúcia, Ayres Britto, Joaquim Barbosa e Marco Aurélio de Mello;
o advogado brasileiro que defende a causa italiana (desconsiderando as pressões exorbitantes e afirmações arrogantes com que aquela nação reagira à decisão legítima do Governo do seu país) apresentou questão de ordem, solicitando o esclarecimento do voto de Grau;
até as pedras sabem que a Itália jamais deveria ter sido admitida como parte de um processo desses no Brasil, mas a dupla linchadora Mendes/Peluso lhe concede, desde o início, a TUTELA de todos os trâmites, de forma que, mais uma vez, acolheu-se uma exigência descabida italiana;
aí, sabe-se lá por quais meios, Grau foi convencido a voltar atrás, não votando mais exatamente como seus quatro colegas, e sim num meio termo (Lula é mesmo quem dá a decisão final, mas levando em conta o tratado de extradição existente entre Brasil e Itália).
No próprio julgamento, Grau discorrera sobre a redação imprecisa dos termos desse acordo. Segundo ele, o presidente da República, em última análise, pode seguir à vontade sua convicção íntima, desde que contemple uma das sete possibilidades que lhe permitem negar a extradição.
Ou seja, se Lula acreditar que Battisti estará em perigo na Itália, não precisará provar, basta ser este seu entendimento.
Motivos para recusar a extradição por riscos que Battisti correria, aliás, ele tem aos montes, sendo estes os mais fortes:
o serviço secreto do Exército italiano já conspirou para sequestrar Battisti no exterior (em 2004), só não o fazendo porque os mercenários contatados discordaram da quantia oferecida, tendo a tramóia vazado depois para a imprensa;
já insinuaram represálias os carcereiros (o sindicato de marieschalli de Udine e de Milão, e a federação de carcereiros da Itália);
ministros italianos, idem (tanto o da Defesa Ignázio La Russa, que é neofascista convicto e enfrentou Battisti em manifestações de rua nos anos de chumbo, quanto o da Justiça Clemente Mastella, que, segundo o Corriere della Sera, afirmou a vítimas da ultraesquerda que estava mentindo — “f…endo os brasileiros” — ao prometer a redução da pena de Battisti para viabilizar a extradição, pois, uma vez entregue, “o palhaço vai ficar na cadeia a vida toda”);
as seções especiais de isolamento da Itália provocaram 62 suicídios de prisioneiros submetidos a tais rigores carcerários só nos 10 primeiros meses de 2009, sendo 13 os presos políticos que se suicidaram desde 1974, além da morte suspeita de alguns outros (por negligência e falta de cuidados médicos).
Quanto à possibilidade de que a Itália conteste mais uma decisão soberana do Governo brasileiro, aproveitando a cabeça-de-ponte que instalou no STF, ela existiria de qualquer maneira.
Mas, o mandato do ultradireitista Gilmar Mendes como presidente do Supremo vai só até abril de 2010. É impensável que o substituto proceda de forma tão incompatível com suas funções, pois seria a pá de cal na credibilidade do STF. Tudo leva a crer que a tônica da próxima gestão será o resgate da liturgia da mais alta corte do Judiciário.
VIRADA DE MESA
Tudo isso considerado, para que serviu, afinal, a decisão ridícula de mudar a proclamação do resultado?
Como bem notou o ministro Marco Aurélio de Mello, tratou-se de uma virada de mesa:
“Não se pode reabrir o julgamento, ainda que se tenha um conflito entre fundamentos e dispositivos. A segurança jurídica é básica no Estado democrático de Direito. Não podemos ficar depois de um julgamento reabrindo em sessões subsequentes o que foi assentado de forma correta ou não pelo plenário”.
Trocando em miúdos, o trâmite deveria ter sido o de sempre:
proclamado o resultado no final do julgamento, o relator redige a ementa e a envia aos ministros;
se um(ns) deles considera(m) que algo não está de acordo com o que se passou em plenário (tanto em relação ao próprio voto quanto ao conjunto dos trabalhos), manifesta(m) sua discordância;
o relator refaz o texto e submete a nova apreciação, até que se chegue a uma forma satisfatória para todos;
o acórdão é publicado.
Então, depois de resolver apreciar um caso que, segundo a Lei vigente e a jurisprudência consolidada em vários processos anteriores, já havia sido decidido pelo Governo brasileiro, o STF inovou mais uma vez, proclamando agora o que só deveria constar (se constasse) do acórdão.
Qual o motivo de mais essa virada de mesa?
Simples: fornecer munição propagandística para a imprensa conivente, de forma a intensificar a pressão sobre Lula.
O temor real da Itália & serviçais é de que o presidente, honrando a soberania nacional e sua própria biografia, liberte Battisti por motivos humanitários neste Natal.
Para precaver-se, criaram mais um factóide, evidenciando a extrema importância que conferem ao Caso Battisti.
En passant, desmentiram novamente a si próprios: não fossem políticas suas motivações, estariam perdendo tanto tempo, ultrapassando de forma tão grosseira os limites diplomáticos (o embaixador da Itália acaba até de ameaçar o presidente Lula com um impeachment!!!) e mobilizando recursos tão abundantes e sonantes?
Então, faço minha a sugestão de Carlos Lungarzo, da Anistia Internacional dos EUA:
“…a solução é a idéia dada há alguns meses por Rui Martins. Lula deve assumir sua condição legítima de presidente plebiscitado e dar indulto e asilo a Battisti. O STF poderá pedir seu julgamento. Eu me pergunto: pensamos que povo é tão ingênuo que vai trocar o maior período de bem estar da história do país, o ponto mais alto da economia e das relações sociais brasileiras, para satisfazer uma coisa que não entendem: um obscuro impeachment promovido por forças repulsivas?”
Vale dizer que fui o primeiro a desaconselhar a proposta de Rui Martins no início do ano, por considerar que pareceria uma afronta ao Judiciário, dando munição ao inimigo.
Ao longo de 2009, entretanto, os linchadores do STF se desmoralizaram de tal maneira que não resta nenhuma dúvida, para os cidadãos isentos e dotados de espírito de Justiça, de que os trâmites deste caso estão sendo totalmente anômalos, de uma parcialidade extrema..
O presidente Lula tem poder para dar fim a uma terrível injustiça: a manutenção de um homem como preso político num país que não mais admite prisões por motivos políticos.
Então, encerro com um apelo, que é o dos melhores brasileiros: Presidente Lula, liberte Cesare Battisti já!
Colaboração enviada por Celso Lungaretti, jornalista, escritor e ex-preso político. Celso mantém o blog “Náufrago da Utopia” e é autor de livro homônimo sobre sua experiência durante a ditadura militar.
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Enviado de Obama elogia política externa brasileira, inclusive na manutenção do diálogo com o Irã
Por Francisco Barreira, sociólogo, em seu blog “Fatos Novos Novas Idéias“
Confesso meu espanto. É preciso alguma coragem e uma inabalável cara de pau, para dizer hoje exatamente o oposto do que você dizia ontem. É o que o Globo está fazendo: em sua conversinha diária com o aturdido Sadenberg, na CBN, Merval Pereira, o intérprete oficial da Maison Marinho, fez com que seus leitores e ouvintes ficassem finalmente sabendo que o Brasil alçou a condição de protagonista da cena mundial e, principalmente, divide com os EUA, a liderança no espaço latino-americano, com indiscutível preponderância brasileira do Canal do Panamá para o Sul. Exceto para assinantes do Globo e outros jornalões do mesmo jaez, nada disso é novidade e – como meus queridos e fiéis leitores são testemunhas – é exatamente isto o estamos dizendo neste blog, há alguns meses.
Mas não deixa de surpreender a guinada brusca efetuada por Merval. Um repentino acesso de honestidade profissional? É pouco provável. Há uma corrente que defende a idéia de que os Marinhos receberam uma espécie de pito do Departamento de Estado Norteamericano. “Menos, menos”, teria dito alguém com sotaque carregado, “se continuar assim vocês vão acabar criando um atrito sério entre nossa diplomacia e a brasileira. E se nosso dialogo com o Brasil deteriorar será um Deus nos acuda. Quem serão nossos interlocutor com a América do Sul? O colombiano Uribe, e o peruano Alan Garcia? Um desastre! Um desastre!”.
E, oficialmente, foi isto que Arturo Valenzuela, subsecretário de Estado para as Américas, um posto logo abaixo ao de Hillary Clinton (a Secretária de Estado), veio dizer em Brasília a Marco Aurélio Garcia, assessor de Lula para assuntos internacionais. Para o público, não disse coisa muito diferente: os EUA confiam no bom senso da política externa brasileira. Até mesmo em relação ao Irã “com quem é sempre bom manter uma porta aberta ao diálogo”.
E foi isto, com palavras muito parecidas, o que Merval disse na conversa com o atônito Sandeberg que até a véspera supunha que era de bom tom dizer que a política externa brasileira era uma sucessão de trapalhadas. Para dar força a argumentação, Merval concluiu destacando que ao fazer (na véspera) a dura advertência aos países que se aproximam do Irã, a Secretária de Estado dos EUA referia-se apenas aos países que obedecem à linha de Chávez. “Veja – disse ele – que Hillary Clinton não mencionou o Brasil”.
A explicação para tanto malabarismo pode ser encontrada na notícia que o próprio Globo publicou, meio envergonhado, escondida na página 30 da edição de segunda-feira: “Enviado de Obama (Valenzuela) elogia política de diálogo de Lula com o Irã”.
Os leitores do Globo um dia ainda terão plena percepção do quão calhordamente são ludibriados diariamente pelo jornal que deveria, como obrigação elementar, fornecer-lhes notícias fidedignas. Mas, e as demais estrelas do jornalismo global? O que dirão a seus incautos leitores, Noblat, o ingênuo irreverente ou Jabor, o bobo da emergente corte burguesa que se estende da Barra da Tijuca e dos Jardins paulistanos, até algum shopping de Miami? E o que dirá a seus espectadores, William Waack com aquele seu jeitinho de congregado mariano que peca atrás do altar?
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Analistas preveêm Lula em órgão internacional
Por Daniela Milanese, correspondente em Londres, e Nalu Fernandes, correspondente em Nova York, para o Estadão
A projeção obtida no exterior transforma o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em potencial candidato para assumir um cargo em instituição internacional e de abrangência multilateral após o término de seu mandato, na avaliação de especialistas na Europa e dos Estados Unidos. Com base em seu perfil, acredita-se que ele se enquadraria como uma voz legítima e de peso em organizações voltadas, principalmente, para o combate à fome e à pobreza e defesa dos direitos humanos em escala mundial. Uma variável definitiva para as aspirações de seu futuro político no âmbito internacional, contudo, deve ser o resultado das eleições de 2010.
“Lula é muito popular no cenário internacional, todas as condições estão presentes para que ele atue como um líder”, disse Francisco Panizza, professor da London School of Economics (LSE). “Não esperava que Lula pudesse atingir tanto espaço no palco mundial, mas ele viaja bastante e faz planos com pessoas de diferentes posições políticas”, afirmou o pesquisador sênior do Institute of Commonwealth Studies, da Universidade de Londres, e autor da biografia em inglês sobre o presidente brasileiro – cuja tradução para o português será lançada este mês no País, com o título Lula do Brasil – A História Real.
“Lula vai sair do cargo no topo. Não há razão – a menos que ele não queira – para não buscar isso (um cargo em um organismo multilateral)”, avalia Peter Tichansky, presidente do Business Council for International Understanding (BCIU), que congrega lideranças do setor privado nos Estados Unidos. “Lula pode utilizar o acesso que tem e sua popularidade para buscar promover mudanças sociais (em escala mundial).”
Cortejado por líderes como o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, da França, Nicolas Sarkozy, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, Lula também deu novos passos em sua ambiciosa agenda política internacional ao receber o presidente de Israel, Shimon Peres, da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e, sob pesadas críticas, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Dessa forma, aspira a colocar o Brasil como mediador de questões conflituosas mundiais.
Tichansky mede a força da figura do presidente brasileiro citando o que classifica como “padrão Lula”. “De uma forma, as pessoas são comparadas a Lula. Há quase um padrão Lula para medir candidatos da esquerda que sobem para conduzir países importantes e que têm desigualdades sociais para resolver. Há a esperança de que sejam pragmáticos como Lula.”
APRENDIZADO
Ao mesmo tempo, a crise econômica global acabou por projetar ainda mais o País no ambiente externo. O aprendizado com crises anteriores fez com que o Brasil e outras nações emergentes estivessem fortalecidas para enfrentar a pior crise mundial desde a Grande Depressão.
Os países da Ásia, argumentam especialistas, depois da crise de 1997, passaram a construir reservas internacionais maciças para proteger suas moedas. Do lado da América Latina, depois da crise da dívida em 1980, o Brasil e outros dedicaram-se a anos de estabilização da economia, com medidas como responsabilidade fiscal, adoção de câmbio flutuante e controle rígido da inflação.
Com as nações avançadas seriamente fragilizadas com a crise global, o G-20 tornou-se o principal fórum de decisões mundiais, um espaço de influência maior para os emergentes, que se recuperam mais rapidamente da crise econômica do que os avançados, e culminou com o aprofundamento da proposta de revisão das cotas dos emergentes dentro das instituições financeiras internacionais. Lula e os outros presidentes dos países emergentes que integram o chamado grupo Bric, composto por Brasil, Rússia, Índia e China, estavam sob os holofotes durante essas reuniões.
Nesse contexto, circulou pela imprensa a possibilidade de Lula ser convidado para chefiar o Banco Mundial a partir de 2011, quando acaba o mandato do atual presidente, Robert Zoellick. O analista de risco político da consultoria britânica Control Risks Alejandro Chacoff avalia que o Brasil seria uma opção mais segura entre os emergentes. “O Brasil está mais próximo do Ocidente e Lula não é uma figura controversa, não se imagina um ex-presidente da China ou da Rússia nessas posições.”
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Por Carlos Alberto Lungarzo
Hoje, dia 16 de dezembro, o Supremo Tribunal Federal voltou a se reunir, agora para aceitar uma moção de ordem do advogado italiano, para rever as opiniões de cada um dos membros do STF que emitiram seu voto na última sessão.
O ministro Eros Grau, com seu habitual estilo confuso e metafísico, deu agora outra forma a seu voto do dia 18 de novembro, quando Peluso e Gilmar o pressionaram até deixá-lo numa posição ridícula. Naquele momento, desesperado pelas interpretações que se faziam de seu voto, acabou dizendo que ele era a pessoa mais qualificada para analisar seu próprio voto, e que, para não deixar dúvidas, votaria como os ministros Carmen Lúcia, Ayres Britto, Joaquim Barbosa e Marco Aurélio de Mello.
Finalmente, hoje acabou dizendo que reconhecia ao presidente Lula o direito a decidir, mas que não era puramente discricionário, porque deveria se ajustar ao tratado. De fato, não se acrescentou nada novo, porque o caráter discricionário da decisão de Lula não impedia, obviamente, que alguém tentasse depois processá-lo sob qualquer pretexto, como retaliação no caso de que recusara extraditar Battisti. Ou seja, Lula não está obrigado a cumprir a ordem de extradição, mas, se reter o perseguido em nosso país (com ou sem tratado), pode ser julgado por crime de responsabilidade.
A única diferença é que hoje, este risco de Lula de ser processado foi colocado pelo Supremo Tribunal numa forma mais escandalosa e despudorada. Agora, pode ser usado com mais força como bandeira pela mídia, pela infame máfia diplomática peninsular, e por todas as forças do terrorismo de estado que se escondem baixo a democracia aparente da pátria de Berlusconi, La Russa, o Conde Ciano, Giorgio Almirante e outros “heróis”.
Suponhamos que Lula tivesse recebido de seis membros (assumindo um plenário completo), um poder absoluto para extraditar ou negar, sem qualquer condição. Vocês acham que os outros quatro iam ficar tranqüilos? Eles o teria submetido a julgamento com qualquer pretexto, mesmo que depois não pudessem obrigar ao parlamento a aprovar sua manobra.
Alguém pensa, por acaso, que há alguma justiça embutida na decisão daqueles burocratas, que vivem num clima de clientelismo, tráfico de influências, acomodos e cambalachos generalizados.
Pensem seriamente: quantos dos eleitores de Lula estão interessados em que Itália possa consumar sua vingança sobre uma pessoa inocente? Talvez haja um 1%, no melhor dos cenários, o que significa pouco ou nada no nível de popularidade do governo. Os setores de classe média e alta votam, em sua imensa maioria contra Lula, salvo aqueles que dependem do atual crescimento econômico e que não trocariam essa vantagem pelo direito a executar uma vingança de outros.
Quanto a enorme massa popular (aquele 85% que ganha menos de 3 salários mínimos, segundo o IBGE), quê interesse pode ter no linchamento de um estrangeiro, que nada fez contra eles, sendo que todos os dias são saqueados por atos de corrupção dos mais diversos?
Perguntem a qualquer pessoa do povão: Você gostaria de ser acusado de um crime que não cometeu? Acha justo ser processado por isso? O que faria se fosse enviado pelo resto da vida a uma prisão de 2 metros por 1,60, em isolamento e sob luz artificial, porque há duas gangues, uma nacional e outra estrangeira, que trocam figurinhas?
Como de hábito, a lúcida voz de Marco Aurélio de Mello se levantou no meio ao disparate geral, para denunciar que a nova proclamação equivalia a reabrir a causa.
Lula está numa encruzilhada só aparente. Ele pode sair perfeitamente dela. Se acaba se submetendo à máfia peninsular e seus albaceas no Brasil, matará a crença do povo de que é um líder que defende sua gente. A enorme maioria do povo nem sabe quem é Battisti, e não tem opinião formada sobre ele.
Mas, é fácil informar a quem ainda não sabe, que o governo italiano nos chamou de “cretinos”, “desvairados”, “animados de propósitos tortos”, “habitantes de um prostíbulo”, e coisas do gênero, algumas delas ditas em outras linguagens mais refinadas, mas outras afirmadas de maneira explícita, como quando Cossiga acusou a Genro de ser um “pateta”.
Lula deve aceitar algo que é muito claro e estável. As forças mais sinistras que se mexem atrás do STF não querem só a cabeça de Battisti. Também querem a sua. É o momento de aceitar o confronto. Será que o STF, com suas frases e latim e suas provas de culpabilidade falsificada, pode contra um 70% de eleitores? Não se trata de procurar o desafio pelo prazer da aventura. Trata-se de quanto vamos a viver sob ameaça de golpe, sob a bota do neofascismo, do martelo dos togados. Lula pode ser julgado? Pode? E por que pensaríamos que vai ser condenado? Afinal, será que o TSF pode mover o parlamento contra ele?
Novamente, a solução é a idéia dada há alguns meses por Rui Martins. Lula deve assumir sua condição legítima de presidente plebiscitado e dar indulto e asilo a Battisti. O STF poderá pedir seu julgamento. Eu me pergunto: pensamos que povo é tão ingênuo que vai trocar o maior período de bem estar da história do país, o ponto mais alto da economia e das relações sociais brasileiras, para satisfazer uma coisa que não entendem: um obscuro impeachment promovido por forças repulsivas?
E depois… quantas vítimas mais vão desejar os membros do Opus Dei, da Propaganda Due, do MSI?
Lula deve reconhecer que as provocações chegaram a um limite e agora não pode recuar. Afinal, não esqueça de que os mais dignos e lúcidos ministros do STF o apóiam, assim como os mais brilhantes membros do Parlamento e do governo e da oposição de esquerda. Esta pode ser a oportunidade para derrotar o golpismo de uma vez para sempre. O Battisti deverá passar outros 30 anos fugindo ou suicidar-se na Papuda? Como então lidará o governo com esse problema?
Há uma semana que tento que alguma dependência de Itamaraty me informe de um assunto bem singelo. Desde 1992, quantas vezes o Brasil utilizou o tratado com Itália como país suplicante para extradição ativa? Mas ninguém me responde, apesar de que existem numerosos formulários para fazer as perguntas mais variadas, como, por exemplo, “localize as comunidades brasileiras no exterior”. Por que ninguém quer responder isso?
Será que esse tratado serve para algo mais que para a perseguição dos inimigos políticos dos neofascistas, e daquele setor da máfia que não se entende com o governo italiano?.
Companheiro Lula: lembre que é chefe de governo e de Estado. Que é o presidente mais votado na história do país. Que só dois líderes do continente tiveram mais popularidade que a sua. Fale com seus assessores e, tomadas as providências, jogue aquele tratado na lata do lixo!
Colaboração enviada por Carlos Alberto Lungarzo, membro da Anistia Internacional e escritor. Autor do livro “Os Cenários Invisíveis do Caso Battisti”. Para fazer o download de um resumo do livro, disponibilizado pelo próprio autor, clique aqui.
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Uma igreja lotada e a versão instrumental do hino do PT recebem a noiva. Com o semblante “repaginado”, Dilma está linda. No caminho até o padre, vê Antônio Palocci, José Dirceu, Genoíno e outros tantos “companheiros”. Lado a lado, o governador Jaques Wagner e o ministro Geddel também estão entre os convidados. No altar, a sua espera,o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nunca na história desse país ele esteve tão elegante.Em clima de romance, os dois trocam alianças e assinam papéis no civil e no religioso. Na hora do beijo, dona Marisa chora.
Por Alexandre Lyrio, da redação do Correio da Bahia
A cena descrita acima não passa de ficção, mas pode-se dizer, está registrada em cartório. Para além de ser um devaneio tucano ou o relato do último sonho do presidente, o casamento do ano ocorreu na Bahia e é mais uma aberração produzida por uma unidade extrajudicial de Salvador. No caso, o 5º Tabelionato de Notas, localizado no Comércio, que autenticou no último dia 10 de novembro uma cópia da “certidão de casamento” de Dilma e Lula, falsificada de forma grotesca.
HÁ 15 ANOS
Um do funcionários da unidade – identificado como José Marcos Lopes Brito – assina o papel como se Luiz Inácio da Silva e Dilma Vana Rousseff tivessem se casado há 15 anos, no dia 9 de setembro de 1994.
Além de não atentar para os nomes do presidente da república e da ministra da Casa Civil, o servidor público sequer exigiu o documento original no momento da autenticação. A cópia falsa foi levada ao cartório por um usuário comum, com o objetivo de denunciar as falhas nos serviços prestados no 5º Ofício e mostrar a que ponto chegam os desatinos praticados pelos tabelionatos da capital baiana.
DILMA DA SILVA
Após pagar, segundo ele, R$8 de “comissão por fora” (700% a mais do que pagaria normalmente, já que o serviço custa de R$1 pela tabela cartorária), o homem, que prefere não se identificar, teve a certidão autenticada em poucos minutos.
“O departamento de arte da minha empresa adulterou uma certidão de casamento legítima. Chegando no cartório, só tinha essa xerox aqui na mão. Eles cobraram um valor maior para autenticar sem o original. Foi rápido e fácil”, relata. No documento, Dilma Vana Rousseff passa a se chamar Dilma Rousseff da Silva. Na filiação indicada no documento, o autor da denúncia teve o cuidado de colocar os nomes corretos dos pais de Dilma e Lula.
Motivos para tornar públicas as anomalias praticadas pelos cartórios o denunciante diz ter de sobra.
Em se tratando do Tabelionato do 5º Ofício, então, ele o considera um “balcão de negócios”. Ao mesmo tempo indignado e com medo de retaliações, ataca o cartórios sem dar detalhes sobre o que, segundo ele, sofre há mais de seis anos.“O que posso dizer é que pagaram para eles me prejudicarem. Naquele cartório, basta botar a grana na mesa que eles fazem de tudo”, disparou.
O homem diz que tem gastado dinheiro com advogados para ganhar uma causa que envolve o cartório. Por isso, resolveu forjar o casamento do presidente com a ministra.
“A certidão é só uma forma tragicômica que arrumei para mostrar o quanto o negócio é absurdo. Se pagar R$50, até morto fazumaprocuração ali. São pessoas perigosas. É uma máfia”.
As principais acusações do idealizador da certidão de casamento falsa são direcionadas ao tabelião titular do 5º ofício, Agélio José Dórea Vieira. Segundo o usuário, é ele quem acoberta as irregularidades na unidade.
DEFESA
Este, por sua vez, argumentou que sua unidade extrajudicial foi alvo de uma brincadeira de mau gosto. Disse acreditar que o funcionário realizou a autenticação sem exigiro documento original porque a cópia já trazia a marca [de xerox] de uma autenticação anterior.
“É brincadeira isso, é? Se é uma certidão antiga, escrita à mão, tem muitos anos. Se tem carimbo de outra autenticação, de outro cartório, ele autenticou a xerox da xerox. Se é uma xerox autenticada anteriormente é como se fosse original”, se defende o tabelião Dórea Vieira.
O funcionário que assina o documento, José Marcos Lopes Brito, não foi encontrado pela reportagem, até porque os servidores dos cartórios estão em greve desde o início da semana.
PERÍCIA
O CORREIO submeteu a certidão a um perito em documentoscopia. Ele atestou que a marca de carimbo na parte inferior do papel se trata realmente de uma autenticação e ela foi feita após as mudanças realizadas no documento. Resta saber, diz o especialista, se a assinatura da autenticação bate com a do funcionário. Enquanto isso, de mera ministra da Casa Civil e pré- candidata, Dilma passou a esposa, do presidente.
Tabelião foi punido por falsificação
Não é a primeira vez que o Tabelionato do 5º Ofício de Notas, onde foi atestado o casamento de Lula e Dilma, se envolve em problemas com documentos falsos.
O próprio titular da unidade, Agélio José Dórea Vieira, recebeu pena da Corregedoria do TJ por “inserir em documento público informação falsa com o fim de alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante”, conforme redigiu o juiz corregedor Maurício Lima de Oliveira.
Concluído em maio de 2006, o processo administrativo (PA) 35566/2005 lhe rendeu 60 dias de suspensão.
Para o juiz, Agélio “incorreu em falta disciplinar, pois deixou de cumprir a obrigação (…) a fim de atender a interesse particular, em detrimento do interesse público, o que também configura, em tese, crime de falsidade ideológica”. Agélio já respondeu a outros processos administrativos disciplinares, tendo recebido uma censura por escrito, segundo aponta o texto do PA 35566/2005.
Há ainda na 1ª Vara Crime um processo, de número 1199420-1/2006, onde o titular do tabelionato do 5º Ofício aparece como réu em uma ação por falsidade documental, segundo a página eletrônica de busca processual do Tribunal de Justiça.
A denúncia foi feita pelo Ministério Público Estadual, ainda em 2006. O CORREIO tentou buscar informações sobre o processo, mas a juíza responsável pela vara não estava no local. Uma funcionária disse que não estava autorizada a dar qualquer informação.
O advogado Fernando Santana, que representou Agélio neste caso, garantiu que o processo foi suspenso pela Justiça há dois anos. O titular do cartório confirmou.
“Você descobriu um caso de dois anos atrás. Foi uma outra coisa.Uma coisa não tem nada a ver com outra”, disse Agélio, por telefone, antes de sugerir que o advogado dele fosse procurado. O CORREIO ligou ao menos três vezes para o celular do advogado Fernando Santana, mas não conseguiu obter informações mais detalhadas pois a ligação caía. Ele não retornou as ligações.
*Febeapá – Festival de besteiras que assola o país – foi uma das maiores criações do saudoso jornalista Sérgio Porto, mais conhecido como Stanislaw Ponte Preta.
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